Brasília - A senadora Gleisi Hoffmann discursa no Plenário do Senado durante sessão não deliberativa (Wilson Dias/Agência Brasil)
Brasília – A senadora Gleisi Hoffmann discursa no Plenário do Senado durante sessão. (Wilson Dias/Agência Brasil)

Em veemente discurso no plenário nesta terça-feira (29), a senadora Gleisi Hoffmann (PT/PR) fez um desafio a seus colegas, durante a votação, em primeiro turno, da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 55. Ela conclamou os senadores favoráveis à medida que reduz investimentos em áreas sociais a aprovarem três projetos de resolução de sua autoria que cortam benefícios dos parlamentares. O primeiro, acaba com a vitaliciedade do plano de saúde dos senadores. O segundo diminui em 10% a verba de gabinete e o terceiro reduz de cinco para quatro o número de passagens aéreas a que eles têm direito por mês.

Indignada, Gleisi argumentou, por exemplo, ser inaceitável o Senado aprovar uma proposta que sacrificará a população dependente da saúde pública e do Sistema Único de Saúde (SUS), ao mesmo tempo em que garante plano de saúde até para quem deixou a vida parlamentar. “Com que cara nós vamos encarar a população? Qual é a moral que nós temos para votar uma redução do SUS? Então, vamos ter pelo menos a decência de começar a mexer pelo nosso. Vamos votar aqui também a redução em pelo menos 10% a nossa verba de gabinete e limitar só com quatro passagens aéreas por mês”, afirmou.

Gleisi ainda desafiou o plenário a votar o outro projeto de sua autoria, que corta em 20% os salários de deputados e senadores. A proposta foi aprovada na manhã desta terça-feira na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE), presidida pela petista. “Gostaria que o senador Renan colocasse para votar esse projeto. Aí pode ser que tenhamos um pouquinho de moral para cortar benefícios e salários dos outros, porque nós vamos cortar o salário mínimo, deixar o salário mínimo sem reajuste”, frisou.

Durante seu pronunciamento, Gleisi também protestou contra a decisão do Senado de proibir o acesso de estudantes e sindicalistas às galerias, para acompanhar a votação da PEC da maldade. Ela ressaltou que não tinha justificativa a população estar fora do plenário e apanhar da Polícia na Praça dos Três Poderes.

“Se há uma convicção tão grande de que a população apoia essa emenda, por que o povo não pode entrar? Quem tem medo do povo aqui?”, questionou a senadora, que concluiu: “Aliás, essa PEC é um engodo. Estão vendendo para a população brasileira algo que não vão entregar. Como também não é verdade que a saúde e a educação não vão ser afetadas. Se não fossem afetadas, por que fazer uma Proposta de Emenda Constitucional?”

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