O Fenômeno voltou. Não foi com o nocaute tão esperado pelos torcedores, mas Vitor Belfort voltou a ter o braço erguido dentro do octógono do UFC. Neste sábado (3), na Jeunesse Arena, no Rio de Janeiro, o brasileiro conseguiu suportar os três rounds do combate com Nate Marquardt e venceu o norte-americano por decisão unânime dos juízes – seu primeiro triunfo desta maneira no Ultimate.

“Sem sacrifício, não há glória. Galera, obrigado pelo carinho. Beijo para minha esposa, meus filhos, treinadores, a toda equipe lá no Canadá. A todos que investiram na minha vida e na minha carreira. Sou muito grato a todos que plantaram uma semente na minha vida”, disse Belfort ainda no octógono.

“Eu estava muito excitado. Tinha que ter paciência. Conectei muitos bons golpes. Peço desculpa por não ter nocauteado, mas era a volta. Eu esperava um nocaute, mas não veio. Ao menos consegui lutar os três rounds”, acrescentou.

Belfort não vencia desde 2015, quando nocauteou o hoje aposentado Dan Henderson em um evento realizado em São Paulo. De lá para cá, foi atropelado por Ronaldo Jacaré, em Curitiba, Gegard Mousasi, em Manchester (Inglaterra), e Kelvin Gastelum, em Fortaleza – essa última acabou virando uma luta sem resultado, já que o rival do Fenômeno acabou flagrado em um exame antidoping.

Agora, o futuro de Belfort é incerto. Por contrato, ele ainda possui mais uma luta no UFC. No entanto, ainda não sabe o que acontecerá. No mês que antecedeu o evento, o brasileiro ameaçou se aposentar e até mesmo deixar a organização, mas voltou atrás nos últimos dias e reforçou o desejo de continuar ao lado da companhia comandada por Dana White.

“Acabei de falar para o Firas Zahabi (treinador) que vou dar mais cinco lutas para ele. Vocês vão ter que me aguentar. Vou voltar e me reinventar a cada vez”, finalizou.

A LUTA

A luta começou muito estudada, com os torcedores tentando empurrar o brasileiro com gritos de “olê, oolê, olê, olê, Vitor, Vitor”. No entanto, foi o norte-americano que começou arriscando. Logo de cara, Marquardt conseguiu levar Belfort ao chão, somando pontos com os juízes. Apostando na guarda fechada, o brasileiro conseguiu segurar o rival até o árbitro mandar os dois lutadores levantarem. Faltando pouco mais de um minuto, Vitor esboçou uma blitz para cima de Marquardt, mas a movimentação não lhe rendeu muita coisa dentro do octógono.

No segundo assalto, Belfort conseguiu conectar uma boa sequência de golpes em Marquardt, que, desnorteado, se escorou na grade, sendo bombardeado pelo brasileiro. Empurrado pelos torcedores, Vitor tentou imprimir um gás mais forte, mas acabou perdendo potência, desperdiçando a oportunidade de acabar com o confronto.

No terceiro e último, com os dois veteranos já desgatados, a luta tomou um rumo morno, com poucos momentos para euforia dos torcedores presentes na arena carioca. No final, Belfort ameaçou uma última blitz para cima do norte-americano, mas conectou poucos golpes efetivos, deixando a luta na mão dos juízes.

Claudia Gadelha vence Karolina Kowalkiewicz

Claudia Gadelha vence Karolina Kowalkiewicz

Claudinha não tomou conhecimento de Karolina Kowalkiewicz. Aos 3m03s do primeiro round, foi para as costas da adversária e finalizou sem dificuldades. Kelleher foi uma das grandes surpresas do evento. Estreante no Ultimate, aproveitou deslize de Iuri Marajó e venceu por finalização.

Holloway bate Aldo e assume o reinado dos penas no UFC

Max Holloway é um homem de palavra. Ao afirmar que faria história e mostraria como se vence José Aldo, o “Abençoado” não falou da boca pra fora. Como ele mesmo disse, para conquistar um novo reino, um rei precisa até a terra de outro rei para derrotá-lo em uma guerra. E o havaiano fez exatamente isso ao chocar o público na Arena da Barra e bater o brasileiro, na cidade que o rival vive, por nocaute técnico, aos 4m13s, pela unificação do cinturão dos penas (até 66kg), na luta principal do UFC 212, na madrugada deste sábado para domingo, no Rio de Janeiro.

O resultado positivo é o 11º seguido de Holloway, que tornou-se o segundo havaiano campeão do Ultimate, juntando-se a BJ Penn. Com 18 vitórias e três derrotas, o “Abençoado” é o novo dono do peso-pena. Aldo perdeu a segunda de suas últimas três lutas. Ele vinha de vitória sobre Frankie Edgar no UFC 200, quando recuperou-se do nocaute sofrido para Conor McGregor.

– Quero agradecer a Deus e dizer ao meu filho que temos um novo cinturão, baby. Vocês mostraram muito amor aqui. Eu lutei contra o seu compatriota e vocês mostraram muito amor. Eu disse, chegou a era do “Abençoado”. Dana White, eu quero os meus US$ 50 mil. Eu mereci. Eu comecei perdendo, mas depois me recuperei, porque sabia que tínhamos cinco rounds. Obrigado, Brasil. Adorei as castanhas de cajú. Agora o novo rei chegou e conquistou. Vou dominar essa categoria e ficar no trono por muito tempo – prometeu Holloway.

A luta

A torcida gritava “olê, olê, olê, Aldo! Aldo!” e os lutadores apenas circulavam pelo octógono enquanto estudavam o melhor momento de atacar. O primeiro golpe conectado foi com quase dois minutos de round, quando Holloway tocou levemente com a mão direita na guarda do campeão linear. Aldo tentou responder com jab e direto, mas passou no vazio. Quando furou a guarda do rival, uma bomba de esquerda explodiu o rosto do havaiano. O brasileiro partiu para cima com socos e joelhadas, viu o público explodir, mas o dono do cinturão interino resistiu. Um upper voltou a balançar Holloway. Àquela altura, a superioridade do dono da casa era nítida.

Um gancho na linha de cintura marcou o início do segundo assalto. Holloway respondeu com um direto. Ciente de que precisava mostrar algo novo, tentou impor um volume maior de golpes, mas se viu vítima de dois contragolpes de esquerda. A expressão de Aldo parece não mudar jamais durante uma luta. Quando o havaiano menos esperava era alvejado por combinações certeiras das rápidas mãos do brasileiro. Mas o Abençoado é perigoso e exigia atenção máxima do rival. Combinando direto e cruzado, ele chegou a tocar o rosto de Aldo, que mostrava esquiva em dia na maioria das investidas de seu oponente. Numa dessas esquivas, contra-atacou com diretos, mas recebeu golpes duros de Holloway pouco depois. Nos segundos finais, o campeão interino provocou Aldo e pareceu despertar a fera, que conectou chute rodado e jogou cruzados na direção do rival. As vaias e gritos de “Uh, vai morrer!” foram inevitáveis.

Holloway crescia na luta e já encontrava mais o rosto de Aldo, que respondia com socos, mas usava muito pouco uma de suas principais armas, que é o chute. Um direto de direita do havaiano derrubou Aldo. A tensão tomou conta da arena, enquanto Holloway ia para liquidar a fatura no ground and pound. A torcida gritava o nome do brasileiro, mas Holloway foi para a montada, desferiu muitos golpes no rosto e dominou as costas. Aldo escapou do mata-leão, conseguiu ficar de frente e seguiu engolindo socos. O brasileiro cedeu as costas, passou apenas a proteger a cabeça e recebeu muitos socos antes que Big John McCarthy interrompesse o combate. O silêncio tomou conta do ginásio, e os torcedores se dirigiram para a saída quase que imediatamente.