A Assembleia Constituinte da Venezuela, eleita no último domingo, tomou posse nesta sexta-feira (4). A ex-chanceler Delcy Rodríguez foi eleita presidente da Constituinte, cuja missão será escrever uma nova Constituição para o país. Os 545 constituintes, todos chavistas, foram juramentados no salão elíptico do Parlamento, que tem maioria de opositores. Sua primeira reunião para deliberações será neste sábado (5), a partir das 10h (horário local).

Em seu primeiro discurso, Rodríguez elogiou o governo do ex-presidente Hugo Chavéz e o de Nicolás Maduro, criticou a “minoria burguesa” e o imperialismo e disse que a Constituinte “imediatamente trouxe a paz” e chegou para salvar o país das “feridas da guerra econômica”.

“Viemos aqui, não para destruir a nossa Constituição, mas para tirar do caminho todos os obstáculos e arbitrariedades ditatoriais que têm impedido exercer a validade material da nossa Constituição. Viemos para defendê-la, viemos para aprofundá-la, para renová-la”, afirmou Rodríguez sob aplausos.

A ex-chanceler disse que esta Assembleia Constituinte nasceu do conflito entre os chavistas e opositores, e qualificou a oposição como “um grupo minoritário e fascista”. “Esta Constituinte nasceu de um profundo conflito histórico. Um grupo minoritário que pretende tomar a pátria, que pretende a restauração neoliberal a qualquer preço”, disse.

 “Esta direita contrarrevolucionara, fascista, que hoje pretende derrotar o processo revolucionário do povo da Venezuela, em 1999. Quando foram governo não foram diferentes. Foram mais fascistas e mais ditadores do que estão se expressando hoje. A esse passado jamais voltaremos”, acrescentou.

Rodríguez também repudiou a “interferência estrangeira” no país e criticou os Estados Unidos, ao responder às críticas da comunidade internacional a esse suprapoder instalado nesta sexta. “À comunidade internacional, não se enganem com a Venezuela. A mensagem é clara, bem clara: nós, venezuelanos, resolvemos nosso conflito, nossa crise, sem nenhum tipo de interferência estrangeira, sem nenhum tipo de mandato imperial”, assegurou, em seu discurso de posse.

“Governos de direita que resistem a escutar o povo venezuelano, escutem de uma vez. Aqui não há crise humanitária, aqui há amor. O que há é uma crise de uma direita fascista tratando de destruir um povo livre”, disse em outro momento.

Entre os constituintes eleitos estão o filho e a mulher de Nicolás Maduro, Ernesto Maduro Guerra e Cilia Flores.

Durante a posse da Assembleia, houve manifestações tanto de chavistas, apoiando a instalação do órgão, quanto de opositores, que a repudiam.

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