Campanha Internacional para a Abolição das Armas Nucleares ganha Nobel da Paz. O Ican é uma coalizão de grupos não governamentais

A Campanha Internacional para a Abolição das Armas Nucleares (ICAN, sigla em inglês) foi premiada, nesta sexta-feira (6), com o prêmio Nobel da Paz, anunciou o Comitê Nobel Norueguês, alertando sobre as “consequências humanitárias catastróficas” desses arsenais e pelos seus esforços para fazer um tratado que os proíbe. A informação é da agência EFE.

Esta união de associações que estende por 100 países foi uma “força motriz” e um “ator líder da sociedade civil” do movimento contra as armas nucleares e juntou esforços para “estigmatizar, proibir e eliminar” este tipo de armamento, diz a argumentação do prêmio.

O Comitê enfatizou o “sofrimento humano inaceitável” como um “argumento importante” para a proibição de armas e enfatizou que outras armas menos destrutivas, como as minas antipessoais, bombas de fragmentação e armas químicas e biológicas já foram proibidas por diferentes tratados.

O Nobel destacou que no dia 7 de julho deste ano, 122 países assinaram um tratado internacional contra a proliferação nuclear, mas lamentou que nenhum dos “países que têm armas nucleares, nem seus aliados” ratificaram, ainda que Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França e China tenham dado um primeiro passo neste sentido.

Este prêmio, acrescentou a decisão, é “também um apelo” a estes países para que iniciem “negociações sérias” para a eliminação das 15 mil “armas nucleares existentes em todo mundo”.

A líder da associação, Beatrice Fihn, afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder norte-coreano Kim Jong-Un devem saber que armas nucleares são ilegais. Ao responder ao pedido de dar uma mensagem aos dois líderes, ela foi enfática, segundo a Reuters. “As armas nucleares são ilegais. A ameaça de usar armas nucleares é ilegal. Ter armas nucleares, desenvolver armas nucleares é ilegal. Eles precisam parar”, declarou Fihn.

Ao receber o telefonema que lhe comunicou o prêmio, Beatrice Fihn disse ter ficado “em choque” com a notícia. “É incrível, uma honra”, declarou, surpresa. A ativista é uma das três pessoas que trabalham em um pequeno escritório em Genebra, a sede da ICAN, que reúne mais de 400 entidades e ONGs, segundo a Efe. A organização, que começou na Austrália, foi lançada oficialmente em Viena em 2007.

Daniela Varano, porta-voz da Ican, disse à Reuters que a organização ficou muito entusiamada por ter ganho o prêmio.

“É um grande reconhecimento para o trabalho que fizeram os ativistas ao longo dos anos e especialmente o Hibakusha (como são chamadas as pessoas afetadas pelas bombas atômicas no Japão). Esse testemunho foi crítico, crucial e para um sucesso tão surpreendente”, afirmou.

A ICAN sucede, no prêmio, o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, que foi homenageado pelos seus “decididos esforços” para levar a paz ao seu país, após 52 anos de conflito armado. A decisão foi anunciada dias após o “não” vencer no referendo colombiano sobre os acordos com a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

O anúncio deste ano foi a estreia da presidente do Comitê Nobel Norueguuês, Berit Reiss-Andersen, que assumiu o cargo após a morte de Kaci Kullmann Five, ex-líder conservadora norueguesa, em fevereiro deste ano.

O prêmio da Paz fecha os anúncios do Nobel esta semana, que foi aberto na última segunda-feira (2) com o de Medicina aos cientistas americanos Jeffrey C. Hall, Michael Rosbash e Michael W. Young, por descobrir os mecanismos do chamado relógio biológico.

Ontem (5) foi a vez da Literatura, que foi para o escritor britânico de origem japonesa Kazuo Ishiguro, reconhecendo a força “emocional” de seus romances. Na próxima segunda (9) será conhecido o vencedor do prêmio Nobel de Economia.

A entrega da premiação acontecerá no dia 10 de dezembro, aniversário da morte do fundador dos prêmios, Alfred Nobel, em uma dupla cerimônia na Câmara Municipal de Oslo, onde será entregue o da Paz, e no Konserthus, de Estocolmo, para o resto dos prêmios.

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