A tarde de domingo foi emocionante e especial na Arena Condá. Antes de a bola rolar, jogadores, comissão, diretoria e funcionários entraram em campo junto com Follmann e Neto com camisas com os nomes das vítimas do acidente de 29/11. Ao apito final, os sobrevivente puxaram a festa guiando o carro-maca em volta olímpica. A Chape se reconstruiu, e em altíssimo nível.

Reconstrução. História. Exemplo. Superação. Eterno. Escolha a palavra que for. O Corinthians que me desculpe, parabéns pelo título, mas vai ser difícil encontrar um enredo mais bonito que o da Chapecoense em 2017. Roteiro de filme. Com direito a gol de Túlio de Melo no minuto final da temporada, o Verdão venceu o Coritiba por 2 a 1 na Arena Condá, neste domingo, e se classificou para Libertadores. No gramado que há exatamente um ano 50 pessoas eram veladas, o clube consolidou uma volta por cima irretocável. O Coxa, por sua vez, está na Série B. O Coritiba se salvou e caiu em questão de segundos. Quando tomava o gol aos 50 minutos da Chapecoense, o Flamengo fazia o gol sobre o Vitória para vencer a partida. Se permanecesse o empate, o Alviverde estava salvo, mas acabou rebaixado pela diferença de um gol no saldo.

primeiro tempo

A postura das equipes no início do ano era evidente: a Chape relaxada, sem a concentração da série invicta de nove jogos, e o Coxa firme a cada disputa de bola. Não demorou muito para que os visitantes fossem recompensados com gol: aos 14, Kléber recebeu com liberdade para ajeitar o corpo e acertar o ângulo de Jandrei. Golaço. Em vantagem, o Coritiba seguiu com marcação alta, enquanto o Verdão timidamente se soltava pela direita, com João Pedro e Apodi. A maior posse de bola naturalmente fez com que a Chapecoense arriscasse um pouco mais. Wilson pouco trabalhava, até que em cruzamento despretensioso Elicarlos surpreendeu o goleiro e colocou na gaveta. Dejà vu de Ronaldinho contra a Inglaterra em 2002. Tudo igual em um intervalo em que os resultados das outras partidas ajudavam aos dois.

segundo tempo

A etapa final foi marcada pela tensão. Não demorou muito para Sport e São Paulo saírem na frente de Corinthians e Bahia, o que obrigava vitória de um dos lados na Arena Condá. Chape e Coxa se mandaram para o ataque, mas optaram pelo abafa em vez da troca de passes em busca de espaço nas congestionadas defesas. Do lado dos visitantes, Carleto era a válvula de escape. Bolas e mais bolas foram alçadas na área, nada que tirasse o sono de Jandrei. Já o Verdão do Oeste esvoaçou uma pressão. Forma cinco escanteios quase que consecutivos, Wilson trabalhou e evitou a virada. A medida que o tempo avançava, o desespero também crescia. As duas equipes se lançaram como dava. Kléber desperdiçou dois contra-ataques. Apodi acertou o travessão. Reinaldo quase marcou. E Túlio de Melo colocou o Verdão na Libertadores. Lindo passe de Canteros, assistência de Apodi, gol do camisa 10. A Chape volta à maior competição da América. O Coxa vai para Série B.

Nota oficial da diretoria administrativa do Coritiba Foot Ball Club

À torcida do maior campeão do Paraná, nossas desculpas.

Ainda que não reflita as convicções e o nosso desejo de um Coxa campeão, a atual queda de divisão do Coritiba Foot Ball Club no futebol brasileiro é resultado das ações em conjunto de todos os responsáveis da diretoria, comissões técnicas e atletas.

Não houve, em nenhum momento nestes três anos, falta de empenho, envolvimento e responsabilidade por nossas ações. Oferecemos as melhores condições de trabalho para todos os profissionais e jogadores. Cuidamos zelosamente de nossa vida financeira. Potencializamos nossa equipe de trabalho. Fortalecemos a estrutura administrativa. Ainda assim, em campo, não obtivemos resultados na competição nacional.

As razões de queda não podem ser vistas superficialmente, resumidas em declarações, ações pontuais, culpa de uma ou de outra pessoa; não deveria ter sido assim em 2005 ou em 2009. Como nestas ocasiões, a queda foi resultado de uma lógica complexa, carregada de condições típicas deste esporte, de nosso clube; uma oscilação resultante da dinâmica histórica, da lógica financeira, de capital político e da aplicação de conhecimento a qual dirigentes eleitos (os ditos amadores) devem ser responsabilizados junto com aqueles que executam a atividade fim: entrar em campo.

Hoje, precisamos trilhar pelos caminhos capazes de quebrar paradigmas. Fortalecer medidas capazes de garantir ao Coxa um futuro seguro, sem risco de um colapso financeiro e com decisões técnicas acima de desejos políticos ou da passionalidade de torcedores. Somente o tempo irá mostrar que este processo pelo qual o Coritiba passa é imponderável para a adequação às exigências do mercado.

É nossa responsabilidade este momento. Levaremos esta marca para sempre. Todavia, levaremos também a certeza de caminhos seguros trilhados. Fica nosso desejo e esperança de um clube mais sólido e capaz de continuar sua história.

O Coritiba não irá parar. Em uma semana, o clube passará por uma eleição e nela será fundamental a participação dos sócios analisando, compreendendo, discutindo e separando discursos eleitoreiros daquilo que realmente se aplica à realidade deste esporte. Erros e acertos continuarão acontecendo. Resta a maturidade para entendermos nosso papel e como deveremos andar por nossos rumos.

Na próxima terça-feira será realizada uma coletiva de imprensa exclusiva para jornalistas na qual serão tratados todos os temas pertinentes do atual momento do Coritiba.

Saudações Alviverdes
Rogério Portugal Bacellar

 

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