A produção de veículos no Brasil subiu 14,6% no 1º trimestre de 2018, na comparação com o mesmo período do ano passado, afirmou nesta quinta-feira (5) a associação das montadoras (Anfavea).

Foram 699.657 automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus feitos de janeiro a março, enquanto, 1 ano antes, o setor havia produzido 610.703 unidades nesse mesmo período.

É o melhor resultado para um 1º trimestre desde 2014.

“É um número bastante expressivo. Estamos chegando muito próximo da média dos últimos 10 anos, que está em 718 mil”, explica Antonio Megale, presidente da Anfavea.

Somente em março, a indústria produziu 267.460 unidades, o que corresponde a um crescimento de 13,5% em relação ao mesmo mês de 2017, quando 235.557 veículos foram produzidos. Também foi o melhor resultado para o mês desde 2014.

As vendas no 1º trimestre subiram 15% sobre o mesmo período de 2017, conforme já tinha sido anunciado pela federação dos concessionários, a Fenabrave. Em março, a alta foi de quase 10%.

“Os números são bons, mas poderiam ter sido melhores e acreditamos que eles serão, nos próximos meses”, diz Megale.

“No acumulado do 1º trimestre, estamos crescendo um pouco acima da nossa previsão, que é de 11,7%, mas lembrando que a base do ano passado era baixa no começo do ano e depois o crescimento acelerou.”

O volume de licenciamentos, no entanto, ainda estamos abaixo da média dos últimos 10 anos, que é em torno de 700 mil veículos (no trimestre).

“Algumas empresas têm discutido fortemente o aumento de turnos. É uma decisão difícil, mas, quando ela toma essa decisão, é porque tem bastante confiança de que o mercado será positivo”, aponta Megale, ao comentar o aumento na produção.

A ociosidade nas fábricas, no entanto, ainda é de 40%, segundo o presidente da Anfavea.

No fim do mês passado, 1.533 empregados estavam com algum tipo de afastamento do trabalho, número superior aos 1.434 funcionários em fevereiro.

“Isto é uma ou outra empresa fazendo algum ajuste da produção”, justificou o executivo.

Do total de trabalhadores com alguma restrição na jornada, 936 funcionários estavam no programa PSE, de reduz horas e salário, mesmo número de fevereiro, e 599 estavam em lay-off (suspensão temporária de contrato), 101 a mais que em fevereiro.

As exportações continuam com bom desempenho, chegando a 180.200 veículos no 1º trimestre de 2018, volume 3,3% maior no ano passado.

“Estamos muito acima da média histórica dos últimos 10 anos (de 110,3 mil). É recorde de exportação no acumulado, e tudo indica que vamos bater também no ano todo.”

Embora a projeção seja de ultrapassar as 800 mil unidades no ano, em março, houve um recuo de 2,6% na comparação com o mesmo mês do ano passado, que teve 67.488 unidades vendidas para o exterior.

Megale falou ainda sobre o atraso na vigência do novo regime automotivo, chamado Rota 2030. Ele deveria começar a valer no início do ano, após o término do anterior, o Inovar-Auto. Mas, até agora, não há previsão de quando o presidente Michel Temer vai assiná-lo.

“Acreditamos que o programa (Rota 2030) vai sair. Um atraso de 2, 3 meses não compromete. Se sair este mês, será motivo de comemoração de toda a indústria”, afirma.

“O Brasil precisa de previsibilidade. A gente trabalha com investimentos de longo prazo”, completa o presidente da Anfavea.

Sobre rumores de que a divulgação será feita na próxima quinta (12), Megale diz que não há confirmação. “Nós pedimos uma reunião oficial com o presidente, que deve ser na segunda semana (de abril), mas não está certo que é dia 12, nem que o plano será lançado (nessa data).”

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