Prédio da rua Santa Maria esvaziaram o prédio após tremor (Foto: Defesa Civil/Divulgação)

Um tremor de baixa intensidade foi registrado com epicentro no fundo do mar, a 100 quilômetros da costa de Florianópolis, às 9h28 desta sexta-feira (13), segundo a Rede Sismográfica Brasileira e o Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP). Conforme as instituições, o sismo teve magnitude Richter 3,6.

Moradores da Grande Florianópolis relataram nas redes sociais terem sentido o tremor. Ninguém ficou ferido e nenhum dano foi registrado pela Defesa Civil e Corpo de Bombeiros até as 10h30. Em Blumenau, um prédio chegou a ser esvaziado após o tremor.

Os bombeiros informaram que receberam 32 relatos de pessoas que sentiram o tremor na capital. A Defesa Civil estadual confirmou ter sido acionada por moradores do Norte, Sul e Leste da Ilha, na capital, em Tijucas, na Grande Florianópolis, Vale do Itajaí e em outras cidades do interior do estado.

O morador André Luiz Araújo, do bairro Barra da Lagoa, no Leste da capital, disse que correu para rua ao sentir o tremor. “Parecia um terremoto aqui na Barra, foi muito estranho, eu nunca tinha tido essa sensação, o chão tremendo”.

Em Blumenau, o tremor foi sentido também na rua Santa Maria e um prédio chegou a ser esvaziado. “A última torre do condomínio fica próxima as rochas, eles sentiram as portas e janelas batendo. Os moradores saíram de dentro do prédio e ligaram para nós”, contou o diretor municipal de Defesa Civil de Blumenau Rodrigo Quadros.

Um engenheiro e um geólogo foram levados pela prefeitura ao local e não foram identificadas rachadura aparente no prédio. A equipe deve monitorar a situação e o aparecimento de rachaduras em pisos e paredes.

Conforme o Centro de Sismologia da USP, a provável causa de sua ocorrência se deve à uma possível acomodação da placa tectônica Sul Americana, a qual encontra-se localizada entre outras placas tectônicas, com destaque para as placas tectônicas de Nazca e Africana, no contato oeste e leste, respectivamente.

Segundo o professor Bruno Collaço, pesquisador do centro da USP, tremores como esse são registrados ao menos uma vez por mês no litoral catarinense. Conforme o estudioso, praticamente toda a costa brasileira, desde o estado da Bahia até o Rio Grande do Sul é uma região bastante susceptível a ocorrência de tremores desse tipo.

“É um pouco acima dos tremores que acostumam acontecer todas as semanas no Brasil que são de magnitude 2 a 3, mas ainda assim é uma magnitude bem baixa para os padrões mundiais”, explicou.

Conforme o professor da USP, praticamente todas as semanas acontecem tremores no Brasil. “A grande maioria deles não é percebido pela população, apenas pelos sismógrafos. A costa brasileira, o nordeste, principalmente os estados do Ceará e Rio Grande do Norte, o sudeste, com Minas Gerais e São Paulo, a região central do país com Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, são áreas bastante propensas a ocorrência de tremores”.

A Rede Sismográfica Brasileira registrou em 18 estações no Brasil o evento sísmico. Para o sismólogo Juracir Carvalho, da Rede Sismográfica Brasileira o abalo é um fenômeno natural, fraco sem razão para preocupação. “Não há qualquer relação com tsunamis, que nunca ocorrem no Atlântico, sem razão para susto”, complementou.

Histórico em Santa Catarina

Segundo a Rede Sismográfica Brasileira, outros tremores históricos de magnitudes a partir de 3 já foram registrados pelas nossas estações em Florianópolis e na margem continental de Santa Catarina.

Como exemplo dos eventos sísmicos em Garopaba em 2012 de magnitude 3.3; margem continental em 1996 de magnitude 3.2; Tubarão em 1939 de magnitude 5.5; e no Oceano Atlântico nas mediações do Estado de magnitude 4.4, em 1974.

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