Malala Yousafzai, ativista paquistanesa e ganhadora do Nobel da Paz

Na semana em que completa 21 anos, Malala Yousafzai, ativista paquistanesa e ganhadora do Nobel da Paz, conta, em entrevista que decidiu passar a data ao lado de jovens brasileiras ativistas dos direitos da população indígena e negra.

A comemoração acontecerá nesta quinta-feira (12) no Rio de Janeiro, diz ela, e a população não-branca do Brasil entrou no seu foco principal por ser justamente a que mais sofre com a falta de acesso à educação.

“Vemos que só 30% das crianças afro-brasileiras terminam a escola. As comunidades indígenas representam 0,5% da população, mas representam 30% dos que estão fora da escola ou são analfabetos. Então existe necessidade de apoio. E o meu objetivo é sempre alcançar as áreas onde o apoio é mais necessário”, afirma ela.

Nesta terça, Malala anunciou que vai investir US$ 700 mil no trabalho realizado por três ativistas brasileiras, da Bahia, de Pernambuco e de São Paulo. Mas afirmou que ajudar na inclusão das 1,5 milhão de meninas do Brasil que atualmente estão fora da escola é só um passo em seu objetivo final: fazer isso com todas as 130 milhões de meninas nessa situação em todo o mundo.

Para cumprir a meta, ela afirma defender esforços em todas as áreas, inclusive a política, com leis que ajudem na evolução da igualdade de gênero. Para a jovem paquistanesa, oferecer informações a meninas sobre sua saúde sexual e sua educação sexual é “crucial”, principalmente considerando as meninas que são vítimas de assédio.“Esse ensino só as lembra [as meninas] de que elas têm direitos independentemente de sua origem, ou de seu gênero. Acho que isso é crucial, e se isso for proibido, vai ser um grande desafio para atingir nosso objetivo de igualdade.”

Malala se tornou conhecida no mundo todo em 2012, após ser baleada na cabeça por radicais do Talibã ao sair da escola. Ela seguia em um ônibus escolar e seu crime foi se destacar entre as mulheres e lutar pela educação das meninas e adolescentes no Paquistão. Os talibãs são contrários à educação das mulheres.

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