A quarta greve geral contra a política econômica do governo de Mauricio Macri, convocada pela principal central sindical da Argentina, paralisa transportes e serviços nesta terça-feira (25) no país.

A greve foi convocada no momento em que Macri está em Nova York para participar da Assembleia Geral da ONU e se reunir com investidores para tentar transmitir confiança.

Pelo menos 15 milhões de pessoas estão sendo afetadas pela paralisação, que afeta o funcionamento de ônibus, metrô e trens. Desde o final da tarde de ontem, as seis linhas do metrô de Buenos Aires estavam completamente paralisadas, aderindo a greve e não funcionarão novamente até amanhã.

Geralmente lotadas por engarrafamentos, as ruas de Buenos Aires possuíam um pequeno tráfego e, no centro da cidade, as buzinas e os ruídos do motor eram substituídos pelo silêncio, informa a Reuters. Na região de Rosário, onde está localizado o maior polo agro-exportador da Argentina, os embarques de grãos e derivados foram interrompidos pelo protesto dos trabalhadores.

Nos aeroportos, empresas como Aerolíneas Argentinas e Latam já anunciaram o cancelamento de todos seus voos domésticos, por isso sugeriram aos clientes que reprogramem suas viagens. Não há transporte de caminhões, bancos, comércios, escolas, universidades e repartições públicas foram fechadas.

No Aeroporto Internacional Tom Jobim, na Zona Norte do Rio, foram cancelados 12 voos. De acordo com o RioGaleão, voos das companhias áreas Gol, Aerolineas Argentinas e Latam, que fariam o trajeto entre Rio e a capital Buenos Aires foram afetados.

Em São Paulo (aeroporto de Guarulhos), quatro voos da Aerolineas que partiriam da capital argentina também foram cancelados. A aérea também desmarcou quatro partidas de Guarulhos para Buenos Aires nesta terça-feira.

Nos hospitais públicos do país, devem funcionar os serviços mínimos para emergências. Os serviços de coleta de lixo e postos de combustível também serão afetados pela paralisação.

Apesar de realizarem operações, espera-se um dia com pouca atividade nos mercados financeiros já que os bancários também se comprometeram com a greve. A renúncia do presidente do banco central, Luis Caputo, anunciada nesta terça-feira também afeta os mercados. O dólar era negociado em alta de mais de 2%, ao redor de 39 pesos.

A paralisação, promovida pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), visa protestar contra os ajustes do governo em meio à crise que afeta o país pela desvalorização abrupta do peso argentino registrada desde o final de abril, a alta inflação (que deve superar 40% em 2018), e a queda da atividade econômica. Os líderes sindicais exigem reposição salarial e também rejeitam o acordo com o FMI.

As greves anteriores de 24 horas promovidas contra o atual governo por parte da CGT aconteceram em abril e dezembro de 2017 e no final do último mês de junho.

O presidente argentino reiterou que este não é “um momento oportuno” para fazer uma nova greve, que segundo as estimativas terá um custo econômico de aproximadamente 31,6 bilhões de pesos argentinos (US$ 847,16 milhões), equivalente a 0,2% do Produto Interno Bruto.

A greve deve causar um prejuízo de US$ 850 milhões ao país, o equivalente a 0,2% do PIB, segundo o próprio governo. Na verdade, alguns setores começaram a greve já na segunda-feira (24)

A expectativa é que até sexta-feira haja o anúncio de um novo acordo financeiro com o FMI. Em entrevista para a Bloomberg TV na segunda-feira (24), Macri disse que o país estava perto de atingir um acordo final com o FMI, e que havia “chance zero” de que a Argentina daria default em sua dívida externa no próximo ano.

Pouco mais de dois anos depois de encerrar a disputa com os chamados “fundos abutres”, a Argentina se viu diante de um novo impasse financeiro. Com sua moeda despencando, o país subiu a taxa de juros ao maior patamar do mundo, consumiu boa parte de suas reservas em dólares, buscou ajuda do Fundo Monetário Internacional (FMI) e tentava buscar a confiança de investidores para evitar uma nova corrida cambial.

O custo desse acúmulo de problemas acaba pesando diretamente no bolso dos argentinos. A expectativa é de disparada de inflação, superando as projeções iniciais. Além disso, o crescimento da economia do país neste ano deve ser menor que o previsto. O ministro da Fazenda, Nicolás Dujovne, admitiu que “a Argentina terá mais inflação e menos crescimento num curto prazo”.

Em junho, o governo argentino assinou um acordo com o FMI de US$ 50 bilhões. A primeira parcela, de US$ 15 bilhões, foi liberada logo após a assinatura, enquanto os outros US$ 35 bilhões estavam previstos para ser liberados ao longo dos três anos de duração previstos para o acordo.

Presidente do banco central da Argentina pede demissão

O presidente do Banco Central da Argentina, Luis Caputo, apresentou sua demissão, em comunicado, de acordo com o jornal Clarín. O diário lembra que a saída ocorre durante uma viagem do presidente Mauricio Macri aos Estados Unidos e também cita que Caputo vinha apresentando divergências com o Ministério da Fazenda.

Nesta terça-feira, 25, lideranças sindicais contrárias ao modelo econômico e ao ajuste conduzido por Macri convocaram uma greve geral de 36 horas. Com a paralisação, voos internacionais, tanto da Argentina para cá, quanto daqui para o país, foram cancelados e os passageiros devem entrar em contato com as companhias aéreas para remarcar a viagem. No país vizinho, serviços públicos, transporte público em geral, bancos e coleta de lixo também são afetados.

Caputo, que havia assumido o comando do banco central argentino em junho após o pedido de demissão do economista Federico Sturzenegger, disse que a decisão é pessoal e afirma na nota que o novo acordo com o FMI deve restabelecer a confiança sobre a situação fiscal, financeira, cambial e monetária do país. Além disso, agradece Macri pela confiança em vários cargos no governo, entre eles o de ministro das Finanças.