O presidente venezuelano Nicolás Maduro apareceu ‘de surpresa’ em Nova York na tarde desta quarta-feira (26) para falar na Assembleia Geral da ONU.

Na semana passada, ele havia dito que ainda estava avaliando se havia condições de segurança para participar da Assembleia, e afirmou que havia planos para assassiná-lo. Desde então, não estava claro se ele iria ou não à ONU.

“Estou avaliando porque você sabe que me têm na mira para me matar”, disse Maduro na ocasião, sem apontar alguém em particular. “Estou avaliando as condições de segurança para ir a Nova York. Quero ir a Nova York, mas preciso cuidar da minha segurança”.

A Venezuela acusou nesta quarta-feira (26) Donald Trump de promover uma “insurreição militar” no país, depois que o presidente americano advertiu na ONU que Maduro poderia ser derrubado por seus militares se estes quisessem.

“A Venezuela manifesta a sua mais enérgica rejeição ante as declarações belicosas e ingerencistas emitidas pelo presidente dos Estados Unidos (…), orientadas a promover uma insurreição militar no país”, disse a Chancelaria em comunicado.

Pouco antes de chegar a Nova York acompanhado de sua esposa, Maduro garantiu que vai participar na Assembleia Geral da ONU.

“Eu venho à Assembleia Geral das Nações Unidas para defender a verdade da Venezuela, venho cheio de emoção, paixão, de verdades para que todos saibam que a Venezuela está de pé”, declarou o presidente.

Ao intervir na terça-feira na Assembleia Geral da ONU em Nova York, Trump disse que o governo de Maduro “é um regime que, francamente, poderia ser derrubado muito rapidamente pelos militares” venezuelanos se eles decidissem fazê-lo.

“Essas declarações não representam um elemento isolado, dado que emergem em um contexto de sucessivas ameaças de intervenção militar na Venezuela e sob o incremento da presença militar americana na região, tendenciosas a criar um conflito regional de proporções insuspeitas”, advertiu a chancelaria.

Apesar da dureza de suas expressões, Trump manifestou nesta quarta a jornalistas que estava disposto a se reunir com Maduro à margem da Assembleia Geral.

O próprio governante venezuelano apresentou essa possibilidade na terça-feira mais cedo, antes que Trump fizesse o seu discurso no fórum mundial. Segundo meios de comunicação locais, Maduro viajou a Nova York.

“Eu acho que se o presidente Trump e eu conversássemos, iríamos nos entender. Talvez algum dia (…) aconteça esse milagre de uma conversa cara a cara”, afirmou Maduro na terça.

No comunicado, o governo venezuelano também expressou o seu apoio às Força Armadas, considerada por analistas como a principal sustentação do presidente socialista.

Nesta quarta-feira, a instituição acusou Trump de impulsionar um golpe militar contra Maduro e descartou tal possibilidade. “Reiteramos a nossa lealdade absoluta ao cidadão Nicolás Maduro (…) Permaneceremos em alerta diante das nefastas pretensões imperialistas”, assinalaram os militares em comunicado.

Na terça-feira, Trump fez piada dos soldados venezuelanos que se dispersaram correndo após a explosão de um drone durante um desfile militar no qual Maduro fazia um discurso, em 4 de agosto, em Caracas.

O presidente venezuelano assegura que essa ação foi uma tentativa de assassinato, por trás da qual estariam fatores de poder americanos, o ex-presidente colombiano Juan Manuel Santos e opositores venezuelanos.

Os militares rechaçaram o fato de Trump “banalizar” o ataque “como se se tratasse de algo engraçado”.

Washington impôs sanções econômicas contra a primeira-dama, Cilia Flores; a vice-presidente, Delcy Rodríguez; o ministro da Comunicação, Jorge Rodríguez; e o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López.

Ainda na terça-feira, Maduro considerou ilegais e inúteis as sanções e qualificou de “covardes” os funcionários que as impuseram.

Desde 2017, os Estados Unidos sancionam Maduro e dezenas de autoridades venezuelanas, acusando-as de romper o fio democrático, violar os direitos humanos, corrupção e narcotráfico.

As tensões entre os dois países – que não têm embaixadores entre si desde 2010 – aumentaram com a chegada de Trump à Casa Branca.

Tribunal Penal Internacional

À margem da Assembleia Geral, os líderes da Argentina, Canadá, Chile, Colômbia, Paraguai e Peru enviaram uma carta à promotora do Tribunal Penal Internacional nesta quarta pedindo investigue o governo de Nicolás Maduro por crimes contra a humanidade.

Na Venezuela, há sérias denúncias de “prisões arbitrárias, assassinatos, execuções extrajudiciais, tortura, abuso sexual, estupro, ataques flagrantes contra o devido processo legal”, inclusive contra menores, afirmou o ministro das Relações Exteriores da Argentina, Jorge Faurie, ao relatar o caso.

A carta pede à promotora do TPI, Fatou Bensouda, que investigue os supostos crimes cometidos pelo governo de Maduro desde 12 de fevereiro de 2014 para “determinar se uma ou várias pessoas devem ser acusadas”, afirmou o ministro das Relações Exteriores do Peru, Néstor Popolizio.

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