O dólar opera em forte queda nesta quarta-feira (3), chegando abaixo do patamar de R$ 3,85 e em sintonia o movimento do dia anterior, quando fechou abaixo de R$ 4, com os investidores ajustando suas posições com o cenário eleitoral.

Às 14h22, a moeda norte-americana caía 0,80%, vendida a R$ 3,9020. Na mínima até o momento, o dólar caiu a R$ 3,8227, e na máxima chegou a R$ 3,8841. O dólar turismo era negociado a R$ 4,05, sem considerar o IOF (tributo). Veja mais cotações.

Após a divulgação da pesquisa Ibope na segunda-feira, as atenções dos investidores se voltaram para os números do Datafolha divulgados para o início da noite da terça-feira e entrevistas com candidatos realizadas no mesmo dia.

No dia anterior, a moeda norte-americana caiu 2,09%, vendida a R$ 3,9333 – menor valor desde 17 de agosto, quando a moeda terminou cotada a R$ 3,9146. O Ibovespa, principal índice de ações da bolsa paulista, teve a maior alta diária em quase dois anos, subindo 3,78%, a 81.593 pontos.

No exterior, o dólar tinha leve alta ante a cesta de moedas, assim como os juros nos EUA em razão das revisões das expectativas sobre a trajetória da política monetária dos Estados Unidos.

O Banco Central ofertou e vendeu integralmente nesta sessão 7,7 mil swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares. Desta forma, rolou 1,155 bilhão de dólares do total de 8,027 bilhões de dólares que vence em novembro.

A projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2018 caiu de R$ 3,90 para R$ 3,89 por dólar, segundo o boletim Focus do Banco Central divulgado na segunda. Para o fechamento de 2019, avançou de R$ 3,80 para R$ 3,83 por dólar.

Desde agosto, o dólar vinha se mantendo acima de R$ 4, em meio a incertezas sobre o cenário eleitoral e também ao cenário externo mais turbulento, o que faz aumentar a procura por proteção em dólar.

Investidores passaram a comprar dólares em resposta a pesquisas que mostram intenção de voto mais baixa para candidatos considerados mais pró-mercado. O mercado prefere candidatos com viés mais reformista e entende que aqueles com viés mais à esquerda não se enquadram nesse perfil.

Na prática, as flutuações atuais ocorrem principalmente conforme cresce a procura pelo dólar: se os investidores veem um futuro mais incerto ou arriscado, buscam comprar dólares como um investimento considerado seguro. E quanto mais interessados no dólar, mais caro ele fica.

Outro fator que pressiona o câmbio é a elevação das taxas básicas de juros nas economias avançadas como Estados Unidos e União Europeia, o que incentiva a retirada de dólares dos países emergentes. O mercado tem monitorado ainda a guerra comercial entre Estados Unidos e seus parceiros comerciais e a crise em países como Argentina e Turquia.

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