Eduardo Andrade vende flores em frente ao cemitério em Londrina: dinheiro para competir

Quem chegou ao cemitério João XXIII, em Londrina, na sexta-feira, dia de Finados, foi surpreendido com a oferta:

– Quem quer comprar uma flor para ajudar um atleta?

As flores foram vendidas pelo atleta de taekwondo Eduardo Andrade, de 19 anos, que se prepara para a disputa do Zagreb Open, na Croácia, e do Paris Open, na França. Ele vai viajar com outros sete atletas de Londrina, na próxima terça-feira.

A ida e a volta da França estão garantidas com ajuda do Instituto Parananese de Esporte e Cultura (IPEC), que pagou as passagens com recursos do Fundo Especial de Incentivo a Projetos Esportivos (Feipe). Porém, a possibilidade de ir também para a disputa na Croácia fez Eduardo correr atrás do sonho – e de dinheiro.

Para isso, ele sorteou uma cesta com produtos de beleza, vendeu salgados, deu aulas de taekwondo e, agora, flores. Tudo para arrecadar os R$ 5 mil que são necessários para custear as despesas com as duas semanas de viagem, valor que servirá para pagar hotel, inscrição, alimentação e a viagem entre Paris e Zagreb.

– Falta uma grande parte do dinheiro, mas tenho uma grande fé de que tudo vai dar certo. Temos alguns incentivadores, alunos e pais de alunos, pequenos patrocinadores. Tudo isso em busca desses dois campeonatos, que são muito importantes para um atleta que quer disputar as Olimpíadas. Serão as competições mais importantes da minha vida até agora – disse o atleta, em entrevista ao GloboEsporte.com.

– O esporte muda a vida das pessoas. Hoje, é uma flor para ajudar um atleta. Estou pedindo, nesse dia que respeitamos aos que já morreram, para todo mundo dar vida ao meu sonho, disse Eduardo Andrade.

Atualização: todas as flores que Eduardo levou até o cemitério foram vendidas nesta sexta-feira, ajudando assim na possibilidade de disputar as competições.

Esta será a primeira disputa internacional de Eduardo, que projeta, principalmente, um lugar nas olimpíadas de Paris, em 2024. Em 2018, ele conquistou medalhas no Brasileiro e no Paranaense, entre outros campeonatos.

Em Paris e Zagreb, ele terá a chance de conseguir pontos no ranking internacional. A disputa na Croácia vale 10 pontos no ranking mundial, e na França vale 20 pontos. Além disso, é a chance de ter a experiência com atletas de diferentes níveis pelo mundo.

– Eu tenho que acumular o máximo de pontos possíveis para chegar em 2020 ou 2024 com chances de ser convocado para representar o Brasil. A gente fica meio nervoso por lutar com grandes nomes, mas também tem uma grande expectativa. A gente treina muito e com os melhores do Brasil. A expectativa é para um bom resultado – destacou Eduardo.

Eduardo Andrade conquistou medalhas e mantém vivo o sonho olímpico — Foto: Janaína Castro/Equipe Madureira

Mudança de cidade, sonho olímpico

Eduardo Andrade é de São José dos Pinhais e mudou-se para Londrina aos 16 anos para buscar o sonho de ser atleta de taekwondo. Decidiu escolher o esporte ainda criança, quando participou de um projeto social.

A decisão de mudar de cidade foi tomada com base nas referências na modalidade, como Natália Falavigna, primeira medalhista olímpica do taekwondo no Brasil e que treinava em Londrina. Além disso, Eduardo treina na academia de Fernando Madureira, que foi o treinador de Natalia e da seleção brasileira de taekwondo.

– Eu nem sabia o que era taekwondo. Só conhecia judô, karatê, capoeira… Comecei a fazer e me apaixonei pelo esporte. Eu escutava que eu era muito baixo e que seria difícil. Isso serviu de motivação. Quero provar para eles e, principalmente para mim, que eu tenho esse talento. Meus pais ficaram na minha cidade, e eu estou atrás do meu sonho até hoje – contou.

Mais do que nos treinos, o técnico Flávio Alves está ajudando Eduardo Andrade também na arrecadação do dinheiro para pagar a viagem do atleta. Para o treinador, a ida aos dois campeonatos pode ser o primeiro passo para uma vaga olímpica.

– Ele é um garoto que merece. Medalhou no brasileiro, teve a transição, morar sozinho, ganhar um dinheiro. Ele escuta bastante a gente. A gente vê a possibilidade de ele medalhar em Zagreb. Além disso, será a chance de perceber que pode enfrentar outros atletas de igual para igual – comentou Flávio Alves.

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