Dezenas de mulheres contaram ao jornal “O Globo”, à TV Globo e que sofreram abusos sexuais do médium João Teixeira, conhecido como João de Deus. A violência ocorria, segundo elas, durante atendimentos individuais em Abadiânia (GO). Há casos desde a década de 1980 até outubro deste ano.

O Ministério Público está reunindo as denúncias, que estão se multiplicando após a divulgação na imprensa, e foi criada uma força-tarefa para investigá-las. Os relatos se referem apenas a abuso sexual. Não se trata de questionar os métodos de cura de João de Deus ou a fé de milhares de pessoas que o procuram.

O advogado Alberto Toron disse neste domingo (9) que João de Deus “muito enfaticamente nega” as acusações de violência sexual.

Veja alguns dos relatos de mulheres:

Zahira Leeneke Maus, uma coreógrafa holandesa, fez recentemente uma denúncia pública no Facebook e esteve no programa Conversa com Bial nesta semana, para falar sobre a violência sofrida quatro anos atrás.

Ao ouvir os relatos de outras mulheres, Zahira percebeu que “existe um sistema. A primeira coisa é ‘vire de costas, eu vou te curar’. Existe um padrão (…) Você é manipulada a acreditar na cura”.

Um mulher de 33 anos, que também falou no Conversa com Bial, contou que procurou João de Deus porque tinha depressão e síndrome do pânico. Segundo ela, logo que ficou sozinha com o médium na sala, ele trancou a porta.

“‘Levanta aqui que vou limpar seus chacras’ [ele disse]. Nisso ele ficou em pé, eu fiquei na frente dele, e ele já começou a fazer movimento, passando a mão no meu peito. Nisso ele me virou e pediu pra fazer massagem na barriga dele. Eu fazendo essa massagem, ele pedia pra eu fazer com força, pedia pra eu ficar de olho aberto, e eu não conseguia porque eu já tava incomodada. Aí ele me afastou um pouco e já tirou o pênis pra fora. E pegava na minha mão pra pegar no pênis dele, eu tirava a mão e ele falava: ‘Você é forte, você é corajosa. O que você tá fazendo tem um valor enorme’. Eu não tava fazendo nada. Eu tava ali sendo abusada. Eu não tava fazendo nada.”

Amy Biank, coach espiritual e autora americana que levava pessoas em peregrinação para a Casa Dom Inácio de Loyola desde 2002, disse que uma vez ouviu um grito de socorro, entrou na casa e viu João de Deus forçando uma jovem a fazer sexo oral nele. Ele pediu pra eu fechar os olhos e sentar.

“Eu vi que ele estava com a calça aberta, ela estava ajoelhada e com uma toalha no ombro. Ela não estava querendo fazer sexo oral nele, foi por isso que ela gritou. Mas eu sentei no sofá e fechei meus olhos, porque eu estava tão doutrinada a achar que aquilo tudo era divino e especial”, disse ela a Pedro Bial.

Leandro Cruvinel Miranda disse que sua mãe, Simone, foi vítima de abuso quando buscava a cura de um câncer. Ela só revelou à família a violência sofrida quatro dias antes de morrer, há dois meses. Segundo Leandro, a mãe contou que o religioso abriu a calça e colocou a mão dentro da calcinha dela. Foi quando ela se desesperou, e ele disse que não aconteceria mais nada.

Uma mulher de 41 anos disse ao Fantástico que foi estuprada pelo médium pelo menos 10 vezes quando era criança. “Ele pediu pra mim colocar a mão pra trás e eu senti uma coisa estranha. Aí eu comecei a chorar e falei assim: O que é isso? Ele falou assim: ‘É o que vai te curar’. Aí ele veio na minha frente e fez o que fez comigo. Tudo o que você pode imaginar. Eu falava com ele o tempo todo: ‘Eu quero a minha mãe. Tá doendo'”.