Mais de 40 mil vozes ensandecidas, um estádio pulsando e um título que terminou com o grito de “campeão” saindo da garganta. A história da conquista do título inédito da Copa Sul-Americana pelo Athletico contou com festa, drama, tensão e, no final, a vaga garantida na Libertadores 2019.

Em uma decisão emocionante, o Furacão empatou em 1 a 1 no tempo normal, passou pela prorrogação – com direito a pênalti perdido pelo rival – e venceu o Junior Barranquilla por 4 a 3 nas cobranças para levantar a primeira taça internacional de sua história.

O roteiro do título do Furacão teve altas doses de tensão na Arena da Baixada. Começou com a festa em vermelho e preto pelas ruas da cidade durante o dia, passando pelo mar de torcedores recepcionando ônibus da delegação até a comemoração final com o troféu. Mas talvez nem o atleticano mais otimista imaginaria que viveria uma gangorra de emoções no dia 12 de dezembro de 2018.

Festa liberada e Furacão nos braços do povo

A preparação para o jogo nos arredores da Arena da Baixada começou bem cedo. As ruas próximas ao estádio foram tomadas por bandeiras e, a cada esquina, se via um torcedor trajado de vermelho e preto. Horas antes da partida, os atleticanos fizeram da Rua Brasílio Itiberê a arquibancada. Com fogos, foguetes, faixas e fumaça, o ônibus do Athletico chegou com apoio irrestrito em uma linda festa da torcida do lado de fora.

Pablo faz a Arena explodir

Dizem que a bola procura o craque. E o que dizer do artilheiro? Foi de Pablo o gol que abriu o placar na Arena da Baixada. Aos 25 minutos do primeiro tempo, o atacante tabelou com Raphael Veiga, que deu o passe açucarado para o atacante sair na cara de Viera e bater com tranquilidade – o Furacão foi para o intervalo em vantagem.

Pablo foi decisivo no título, fazendo gols nas duas finais e terminou a temporada com 18 gols. O centroavante também terminou como artilheiro da Sul-Americana, com cinco gols, empatado com Benedetti, do Deportivo Cali, da Colômbia.

O Furacão voltou desligado no segundo tempo e teve dificuldades para segurar o ímpeto dos colombianos, que foram com tudo em busca do empate. Mas não teve jeito. Aos 12 minutos, o Junior deixou tudo igual com o artilheiro Téo Gutiérrez, após desvio de cabeça. A partir dali, a tensão foi máxima na Arena. Perigosos, Díaz, Yony González e Téo colecionaram gols perdidos e as chances para virar o placar. O nervosismo foi tanto que em alguns momentos a Arena se silenciou.

Prorrogação e pênaltis com sofrimento

Athletico e Junior não resolveram nos 90 minutos e precisaram de mais 30, para tentar dar números finais ao jogo. A prorrogação veio com muito sofrimento para os atleticanos. Primeiro começou com as lesões de Pablo e Nikão que, esgotados fisicamente, saíram machucados. Logo no começo do segundo tempo, o Furacão quase viu tudo a perder. Santos cometeu pênalti em Yony González e Barrera teve no pé a bola do título.

Sob uma vaia ensurdecedora, o camisa 10 do Junior tentou bater no ângulo e isolou, perdendo a chance da virada e dando alívio aos atleticanos. Respiro na Baixada!

Na beira do gramado, Pablo e Nikão assistiram às cobranças ajoelhados. De lá viram Jonathan, Raphael Veiga e Bergson converterem – Renan Lodi perdeu. No Junior, Fuentes e Téo desperdiçaram, e última bola ficou com Thiago Heleno.

Frio, o “General” soltou uma bomba, no meio do gol, dando a senha para os atleticanos, enfim, soltarem o grito de campeão. O que se viu nas arquibancadas foi uma mistura de êxtase, abraços emocionados e lágrimas. Uns se atiraram no chão, aos prantos. Outros, ajoelhados, agradeciam aos céus. O sonho se tornava realidade.

No auge do 12 de dezembro, coube ao capitão Lucho erguer a taça. Como disse o argentino no primeiro jogo, “final não se joga, final de ganha”.

“Libertadores, estamos chegando!”

O aviso não é de hoje. Durante toda a campanha da Sul-Americana, o torcedor do Athletico sonhava com a conquista continental. Sob a regência do maestro Tiago Nunes, o Furacão eliminou o argentino Newell’s Old Boys, o uruguaio Peñarol e o venezuelano Caracas, além de ter despachado o Bahia e o Fluminense.

Terminou com a melhor campanha do torneio, teve o artilheiro e a vaga carimbada na Libertadores de 2019. De quebra, ainda terá a Recopa Sul-Americana contra o River Plate, e a Copa Suruga, entre o ganhador da Sul-Americana e o campeão do Japão, no segundo semestre.