Uma foto mostra o médium João de Deus ao ser registrado no sistema penitenciário após ser preso suspeito de abusos sexuais. Ele está no Núcleo de Custódia, em Aparecida de Goiânia, e nega os crimes. Preso há 13 dias, ele passa o dia em uma cela com quatro detentos e dorme em outra, isolado.

João de Deus não tem alimentação especial. Assim como os demais presos, a refeição é composta de arroz, feijão, carne, salada e sobremesa, sendo um doce ou uma fruta. Ele recebe os medicamentos necessários para os problemas cardíacos que tem.

A imagem foi feita no dia 16 de dezembro, quando deu entrada no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia. Ele fica em uma cela de 16m² com quatro detentos durante o dia. O local tem banheiro, chuveiro e camas. À noite, ele passa para outra cela, com 2,5m x 3m, só com cama e um armário.

O Ministério Público denunciou o médium pelos crimes de estupro de vulnerável e violação sexual mediante fraude na sexta-feira (28). O órgão ainda pretende oferecer novas denúncias contra João de Deus após receber o depoimento de mais de 100 mulheres.

“Há agendamentos a semana que vem e início de janeiro de novas vítimas para prestar depoimentos e, ao mesmo tempo, nós trabalhamos com aqueles casos que já recepcionamos os depoimentos. Em alguns casos muito maduros a intenção é já passar para uma fase de elaboração de denúncias”, disse a promotora Gabriella de Queiroz Clementino.

A primeira denúncia contra o médium foi entregue no Fórum de Abadiânia e contém o relato de 19 mulheres que dizem ter sido abusadas pelo médium. Destas, 12 procuraram o Ministério Público e sete, a Polícia Civil. Algumas são de outros estados, mas não foi divulgado de quais.

  • Quatro casos, todos entre abril e outubro de 2018, compõem a denúncia; dois por violação sexual e dois por estupro de vulnerável;
  • Dez casos prescreveram ou decaíram. Eles aconteceram nos anos de 1975, 1987, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 (2 casos), 2015 e 2018;
  • Outros cinco casos ainda precisam de mais diligências e investigações para serem concluídos.

João de Deus está preso desde o dia 16 de dezembro, quando se entregou à Polícia Civil. Ele está detido no Núcleo de Custódia do Completo Prisional de Aparecida de Goiânia, onde dorme sozinho, mas passa o dia em uma cela com outros quatro presos.

A defesa do médium pediu a soltura dele pelos crimes sexuais ao Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ-GO) e ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) – ambos negaram o habeas corpus em caráter liminar. Portanto, o pedido foi feito a Supremo Tribunal Federal (STF), que não havia decidido até esta sexta-feira. A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, se posicionou contra a soltura de João de Deus.

A Justiça estadual chegou a conceder a prisão domiciliar para o médium João de Deus pelo crime de posse ilegal de arma de fogo, mas, conforme documento, ele continuará preso por violação sexual.

  • Ministério Público Estadual de Goiás denunciou João de Deus por violação sexual mediante fraude e estupro de vulnerável no dia 28 de dezembro;
  • Médium está preso desde o dia 16 de dezembro;
  • Ele é investigado por estupro, estupro de vulnerável, violação sexual mediante fraude e posse ilegal de arma;
  • João de Deus prestou depoimento para a Polícia Civil, quando foi preso, e ao MP-GO, no dia 26 de dezembro;
  • Esposa do médium foi ouvida pela Polícia Civil e disse que não sabia de crimes;
  • Defesa teve dois habeas corpus pelos crimes sexuais negados e foi ao STF; Justiça concedeu prisão domiciliar por posse de armas;
  • MP recebeu mais de 600 emails pelo endereço [email protected] e identificou cerca de 260 vítimas em seis países;
  • Mulheres que denunciaram João de Deus ao MP tinham entre 9 e 67 anos ao serem abusadas, conforme relatos;
  • Polícia Civil colheu depoimentos de 16 mulheres. Ministério Público já ouviu mais de 100, até o dia 28 de dezembro;
  • Em operações em endereços ligados a ele foram achadas armas, pedras preciosas e mais de R$ 1,6 milhão;
  • Justiça determinou o bloqueio de R$ 50 milhões das contas de João de Deus;
  • Casa Dom Inácio de Loyola segue funcionando, mas registrou queda de 50% no movimento;