Um dia depois de rejeitar o novo acordo proposto pela primeira-ministra Theresa May para o Brexit, o Parlamento britânico votará nesta quarta-feira (13) se Reino Unido deve sair da União Europeia em 29 de março com ou sem acordo.

Caso a proposta de sair sem acordo avance, alternativa considerada improvável por analistas, não haveria um período de transição de 21 meses e resultaria em riscos para o comércio, imigração, saúde, entre outras áreas.

Líderes empresariais afirmam que a falta de um acordo causaria caos em mercados e cadeias de fornecimento e que críticos chegam a afirmar que resultaria em escassez de alimentos e remédios.

O partido de May, o Conservador, decidiu liberar os votos de seus membros para a votação sobre uma saída do bloco sem acordo.

Porém, se os deputados rejeitarem um Brexit sem acordo, haverá uma votação na quinta-feira (14) sobre a extensão do Artigo 50, o que adiaria a saída do bloco, marcada para 29 de março.

“Mas votar por uma extensão não resolve os problemas do governo. A União Europeia vai querer saber se o Reino Unido quer revogar o artigo 50 ou se quer um novo referendo. Essas são escolhas que a Câmara deve enfrentar agora”, afirmou May.

Caso os deputados britânicos aprovem a extensão do prazo para sair oficialmente do bloco, a União Europeia precisa resolver se aceita ou não dar mais tempo para o Reino Unido resolver seus impasses.

Antes da votação de terça-feira, a primeira-ministra alertou que, se os parlamentares não apoiassem seu “acordo aprimorado”, arriscariam não chegar a “Brexit algum”.

Em 15 janeiro, a primeira versão do documento negociado entre May e Bruxelas foi rejeitado, por 432 votos contra e 202 a favor, impondo a maior derrota do governo na história moderna – o recorde anterior era de 1924, com diferença de 166 votos.

Desde então, apesar da resistência do bloco europeu, May conseguiu com que a União Europeia aceitasse sinalizar uma abertura para negociar a questão da fronteira das Irlandas, principal entrave na aprovação do acordo em janeiro.

Esse mecanismo busca evitar o retorno de uma fronteira física entre a Irlanda (integrante da UE) e a província britânica da Irlanda do Norte (integrante do Reino Unido), para proteger o frágil Acordo de Paz de 1998.

Juncker também deu garantias à May de que a União Europeia se compromete a buscar novas alternativas para o backstop até 2020. Mas ele deixou claro que esta é a última vez que ele negocia o acordo com os britânicos.

“É este acordo ou o Brexit poderia não acontecer”, afirmou Juncker, em coletiva de imprensa conjunta com May.

Para o procurador-geral britânico, Geoffrey Cox, o “risco jurídico” de que o Reino Unido permaneça bloqueado em uma união alfandegária com a UE permanece “sem alterações” apesar do novidade apresentada por May e Juncker.

Porém, a nova proposta não foi suficiente para conseguir a aprovação dos deputados na terça-feira. Foram 391 contra e 242 votos a favor.

Essa segunda derrota enfraquece ainda mais a liderança de May dentro de seu partido e amplifica os pedidos de saída dela do cargo, segundo a BBC.

Em dezembro passado, ela foi submetida a um voto de desconfiança de seus correligionários, mas sobreviveu por 200 votos a 117 ao prometer renunciar à liderança do partido antes das próximas eleições gerais.

Para o líder trabalhista, Jeremy Corbyn, a primeira-ministra deveria convocar eleições gerais e um novo referendo sobre o Brexit. O Partido Trabalhista votou em peso contra o acordo nesta terça-feira: 238 a 3.