O presidente Jair Bolsonaro fala durante cerimônia alusiva ao 211º aniversário do Corpo de Fuzileiros Navais, na Fortaleza de São José, na Ilha das Cobras, centro do Rio

Há uma preocupação cada vez maior, entre integrantes do governo e aliados, com as declarações, mensagens nas redes sociais e discursos ou entrevistas de improviso feitos pelo presidente Jair Bolsonaro.

Há o consenso de que isso enfraquece, cada vez mais, a fala presidencial, pois muitas vezes o próprio Bolsonaro precisa ser reinterpretado por auxiliares ou até mesmo pelo vice-presidente Hamilton Mourão para minimizar declarações polêmicas.

“É preciso evitar o esvaziamento da fala presidencial. Quando o chefe do Executivo fala, tem que ter a mensagem principal do governo. Não deve ter a necessidade de explicações ou correções”, disse ao blog um auxiliar próximo do presidente.

Foi o que aconteceu nesta quinta-feira, quando o vice-presidente Hamilton Mourão afirmou que o presidente Jair Bolsonaro foi “mal interpretado” ao declarar que democracia e liberdade só existem quando as Forças Armadas querem.

A avaliação interna é que, além do esvaziamento da fala presidencial, esse tipo de polêmica acaba desviando o foco do principal objetivo do governo neste momento: a aprovação da reforma da Previdência.

Com dificuldade em consolidar a própria base aliada no Congresso Nacional, integrantes do governo reconhecem que é preciso evitar polêmicas e falas que possam dividir ainda mais possíveis aliados no Legislativo.

Nesta quinta, a transmissão ao vivo do presidente em uma rede social estava toda projetada para defender a reforma da Previdência.

Depois da polêmica em torno do discurso de improviso, o consenso foi o de que o tema principal foi ofuscado pela fala anterior.