Terceira mais antiga do Brasil, a Parada do Orgulho LGBTQI de Brasília chega à 22ª edição neste domingo (14) com homenagem aos 50 anos da revolta de Stonewall – um marco do movimento pelos direitos LGBQI no mundo – e aos 40 anos do “beijaço” no bar Beirute (saiba mais abaixo).

No ano passado, o evento reuniu cerca de 70 milpessoas na Esplanada dos Ministérios, segundo a organização. Desta vez, a expectativa é que, pelo menos, 100 mil pessoas acompanhem os seis trios que vão circular pelo centro da capital.

Em tempo de existência, o evento perde apenas para o que ocorre no Rio de Janeiro, desde 1995, e o da Avenida Paulista, em São Paulo, que está uma edição à frente de Brasília.

A expectativa da organização é que o evento ocorra até as 21h. Ao contrário da edição passada, quando a Parada LGBTQI recebeu apoio financeiro via emenda parlamentar, desta vez o evento será feito com parcerias da iniciativa privada.

Na edição passada, o tema da parada foi “#LGBTemPolíticaSim”, em alerta à necessidade de criação de políticas públicas voltadas para esta população. Agora é vez de prestar homenagens. Sob o tema “Stonewall 50. Beijo livre 40. Resistência e conquistas”, o evento relembra a revolta de Stonewall, nos Estados Unidos.

Na madrugada de 28 de junho de 1969, o bar Stonewall Inn, no bairro de Greenwich Village, em Nova York – um reduto da população e dos artistas marginalizados, majoritariamente LGBQI – foi vistoriado por policiais sob a alegação de venda ilegal de bebida alcoólica.

Na ocasião, funcionários foram presos e clientes, levados sob custódia. Naquela época, a homossexualidade ainda era considerada crime em Nova York e, também, em outros estados norte-americanos. Até 1962 a orientação sexual homoafetiva era crime em todo o país.

A ação policial no Stonewall Inn culminou em uma revolta, com agressões de ambas as partes, até que o bar foi incendiado.

A Parada LGBTQI também comemora os 40 anos do movimento “Beijo livre” no bar Beirute da 109 Sul. Em 1979, dois homens foram convidados a se retirar do bar depois de darem um beijo na boca em frente dos demais clientes.

No dia seguinte, cerca de dez casais homossexuais entraram no Beirute e, juntos, fizeram um “beijaço”. O movimento foi organizado pelo diretor e ator de teatro Alexandre Ribondi, que exercia a profissão de jornalista na época.

“Foi a primeira manifestação pública de luta pelos direitos das pessoas LGBT em Brasília. O começo de uma luta que travamos até hoje”, disse Ribondi. “É importante que as novas gerações conheçam essa história, comemorem e honrem. Os mais jovens sabem da importância do evento para a qualidade de vida deles hoje, que ainda está longe de ser ideal, mas está muito melhor do que já foi.”