A Polícia Federal (PF) cumpre mandados na Operação Lava Jato.

A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta quarta-feira (21) a 63ª fase da Operação Lava Jato. Segundo a PF, são cumpridos dois mandados de prisão temporária e 11 mandados de busca e apreensão em São Paulo e na Bahia.

(CORREÇÃO: na publicação desta reportagem, o G1 errou o nome de um dos alvos de mandado de prisão. Em vez de Newton de Souza, a ordem de prisão é para Nilton Serson. A informação foi corrigida às 7h14)

De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), os alvos de prisão são o ex-executivo do Grupo Odebrecht Maurício Ferro e o advogado Nilton Serson.

Bernardo Gradin, ex-presidente da Braskem, é alvo de buscas.

O G1 tenta contato com as defesas dos citados.

Até as 7h, apenas Ferro tinha sido preso.

Segundo a PF, esta fase investiga a suspeita de pagamentos periódicos por parte da Odebrecht a dois ex-ministros identificados na planilha do Setor de Operações Estruturadas da empreiteira como “Italiano” e “Pós-Itália”.

Segundo o MPF, a operação busca aprofundar as investigações dos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro relacionados às medidas provisórias (MPs) 470 e 472, que concederam o direito de pagamento de débitos fiscais sobre o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) com a utilização de prejuízos fiscais de exercícios anteriores.

Ferro, Gradin, Mantega e Palocci já são réus em uma ação penal que apura o pagamento de R$ 50 milhões como contrapartida para a edição das MPs.

De acordo com a PF, as investigações apontam que a propina teria sido entregue a um casal de publicitários para dissimular a origem do dinheiro.

Segundo a denúncia, o valor foi solicitado por Guido Mantega a Marcelo Odebrecht e pago pela Braskem, por meio do Setor de Operações Estruturadas do grupo.

Depois que essa ação penal começou a tramitar, a Braskem fez acordo de leniência com o MPF, apresentando várias provas que, segundo o Ministério Público, fornecem indícios de que Maurício Ferro, no cargo de diretor jurídico da Braskem, comandou a celebração de, pelo menos, 18 contratos advocatícios fraudulentos com Nilton Serson, entre 2005 e 2013.

As investigações apontam que não houve prestação de serviços por Serson, e que os contratos serviram apenas para repasse de valores coordenador por Ferro. Por meio desses contratos, a Braskem pagou R$ 78.187.344,98 para Serson.

Ainda de acordo com o MPF, um desses contratos tratava das discussões envolvendo o crédito de IPI.

O MPF ainda informou que, em 2010, contas mantidas por Serson no exterior, em nome de offshores, receberam pelo menos US$ 10 milhões de setor de propinas da Odebrecht.

A autorização para a transferência partiu de Ferro que, depois, teve parte desse valor transferido para contas no nome dele no exterior.

A nova fase da Lava Jato busca apurar esses supostos atos de lavagem de dinheiro e a quem foram os destinatários finais dos valores.

As investigações partiram do acordo de leniência firmado pela Braskem com o Ministério Público Federal.

Segundo a Polícia Federal, foi determinado o bloqueio de R$ 555 milhões dos investigados.