Com a vaga olímpica assegurada, Renan Dal Zotto e a comissão técnica da seleção brasileira masculina de vôlei terão como missão nos próximos meses avaliar e definir os 12 jogadores que irão a Tóquio 2020. Como o grupo que assegurou a classificação para os Jogos tem 14 atletas, alguns dos que competiram em Varna fatalmente ficarão pelo caminho. Pela convocação tradicional que o Brasil costuma fazer para o evento, um líbero e um central serão cortados.

Como Serginho foi dominante nos últimos quatro ciclos olímpicos, tendo disputa mais acirrada apenas com Tiago Brendle antes da Rio 2016, a escolha para a única vaga de líbero era menos sofrida junto ao grupo. Desta vez, com o bicampeão olímpico aposentado, quatro jogadores foram testados na seleção principal ao longo do ciclo: Brendle, Murilo, Thales e Maique.

Os dois últimos estiveram nas principais competições nas duas últimas temporadas. Foram vice-campeões mundiais num sistema de rotação em que Thales, melhor passador, ficava em quadra toda vez que o adversário sacava, enquanto Maique, mais eficiente na defesa, compunha o grupo quando o Brasil tinha o serviço, na esperança de iniciar a armação de um contra-ataque.

No Pré-Olímpico Renan decidiu mudar essa estratégia. Considerou que Thales acabava com muito pouco tempo de quadra e o manteve em tempo integral por dois sets e meio nos dois primeiros jogos, com Maique entrando na reta final, também permanecendo todo o tempo em quadra. Neste domingo, contra a Bulgária, o treinador voltou a utilizar o rodízio do terceiro set em diante, o que contribuiu para a melhora do time.

Vale mencionar que um terceiro atleta corre por fora. Rogerinho, que trocou o Minas pelo Taubaté, foi escalado para defender a seleção no Pan e foi muito bem avaliado. Ele não se destaca tanto na recepção quanto Thales ou na defesa quanto Maique, mas tem um maior equilíbrio entre os dois fundamentos.

Entre os centrais, Lucão e Maurício Souza saem na frente na disputa por três vagas. O meio de rede do Taubaté é o principal jogador brasileiro da posição há dois ciclos olímpicos, enquanto Maurício ganhou espaço para a Rio 2016 e sempre correspondeu. Com eles, o principal desafio será manter o corpo saudável até lá. Lucão atuou em quatro dos 11 sets disputados no Pré-Olímpico por estar voltando da recuperação de uma lesão no glúteo máximo, enquanto Souza se recuperou de uma lesão no tornozelo esquerdo sofrida durante a Liga Mundial.

A terceira vaga hoje estaria sendo disputada por Isac, Flavio e Eder. Flávio estreou pela seleção principal nessa temporada após ótima Superliga pelo Minas e agradou a comissão técnica. Ganhou um voto de confiança importante ao ser mantido em quadra durante o tie-break contra a Bulgária e selou a virada brasileira no set em um bloqueio simples.

– Sem pensar muito na frente, acho que tem que se construir um passo de cada vez. Estou muito feliz com o momento que estou vivendo aqui na seleção. Para mim é tudo um sonho. É difícil de descrever. São muitas coisas que passam na cabeça. Claro que eu sonho com a Olimpíada. É o sonho de todo atleta de alto rendimento, mas vamos com um passinho de cada vez. São processos e temos que passar por todos eles – disse Flávio.

sac foi muito bem na estreia contra o Egito e tem mais tempo de seleção. Tem no currículo o vice-campeonato mundial do ano passado, além de duas pratas da Liga das Nações. Eder foi chamado na Liga das Nações para compor o elenco quando Maurício Souza se lesionou e foi um dos líderes da seleção do Pan, mas está atrás nesta concorrência no momento.

Capitão da seleção, Bruninho é nome certo entre os levantadores. Willian Arjona seria a segunda escolha mais provável, mas o veterano pediu para não ser convocado esta temporada e abriu espaço para que o jovem Cachopa mostrasse serviço. O jogador Cruzeiro saiu-se bem sempre que acionado. Wallace segue titular absoluto como oposto, com Alan, outro estreante da seleção principal em 2019, está bem na fita para levar a outra vaga.

Se em 2018 Renan sofreu para convocar ponteiros devido a lesões dos principais jogadores do país, agora o técnico quebra a cabeça para montar a melhor configuração titular. Mas o quarteto que irá a Tóquio só mudará se alguma questão física ou queda abrupta de rendimento impedir que Lucarelli, Leal, Maurício Borges e Douglas Souza sejam convocados.

– Dá uma tranquilidade bem maior e dá para a gente planejar muito mais. Temos algumas coisas já para as próximas competições, mas dificilmente o grupo vai mudar muito do que estamos aqui. Devemos ter a inclusão de mais dois, três atletas no grupo. Ainda temos algumas competições internacionais importantes a serem disputadas, a Copa do Mundo, o Sul-Americano, alguns amistosos. E a Superliga vai ditar muito também a próxima convocação – concluiu Renan.