O Athletico é o primeiro finalista da Copa do Brasil. Empurrado por sua torcida, o Furacão transformou a Arena da Baixada em um caldeirão e conseguiu uma das maiores viradas de sua história ao bater o Grêmio por 2 a 0, devolver o placar da derrota no jogo de ida e levar a decisão da vaga para os pênaltis. Nas cobranças, os batedoras foram impecáveis até Santos defender a última cobrança de Pepê e colocar o time paranaense na decisão. Marcon Ruben fez jus ao status de artilheiro, rompeu jejum de 12 jogos e foi decisivo para a classificação.

Primeiro tempo

O Athletico criou o ambiente para reverter a vitória do Grêmio em Porto Alegre. O Furacão, empurrado pela torcida, pressionou o adversário durante todo o primeiro tempo. Só viu a situação estremecer em um lance dentro da área, quando a bola tocou no braço de Wellington, mas o árbitro Wagner Magalhães nada marcou. Depois, só deu Furacão. Em boa trama, Nikão ficou com o rebote de chute no travessão de Bruno Guimarães e empurrou para o gol. Faltava só um gol para levar a decisão para os pênaltis.

Segundo tempo

O ambiente de caldeirão deu resultado. De novo nos primeiros minutos, a pressão foi transformada em gol. Marco Ruben se antecipou a Pedro Geromel, dentro da área, logo no início da etapa final, e fez o segundo do Furacão. O panamora do primeiro tempo, com o Athletico no campo ofensivo, e o Grêmio na defesa, se repetia. O que piorou a partir da expulsão de Kannemann, por entrada muito forte em Léo Cittadini. Nos instantes finais, Marcelo Cirino ainda levou perigo, mas a decisão iria mesmo para as penalidades.

Datas das finais

Classificado, o Athletico aguarda na decisão Inter ou Cruzeiro, que se enfrentam nesta quarta no Beira-Rio. As finais serão nos próximos dias 11 e 18. O sorteio dos mandos de campo será feito na CBF nesta quinta-feira, às 15h.

Brilha Santos

Nos pênaltis, Bruno Guimarães, Galhardo, Lucho González, David Braz, Nikão, Alisson, Cirino, Matheus Henrique e Marco Ruben converteram todas as suas cobranças, sem chances para os goleiros. Coube ao garoto Pepê a quinta e última cobrança do Grêmio. Mas aí brilhou a estrela de Santos, que caiu no canto certo e colocou o Furacão na decisão.

Carrasco tricolor

Marco Ruben entrou em campo com um jejum de 12 jogos sem marcar pelo Athletico. Não poderia escolher adversário melhor para acabar com a seca. Autor do segundo gol do Furacão na Arena da Baixada, o atacante argentino já foi carrasco do Grêmio na Copa Libertadores. Em 2016, foi o principal responsável pela eliminação tricolor nas oitavas de final, com gol na vitória por 1 a 0 no jogo de ida, na Arena, e outros dois no 3 a 0 jogo de volta, na Argentina. A ironia? O Grêmio já tentou contrará-lo diversas vezes, sem sucesso.

Inter dá resposta imediata após Libertadores e se garante em final com sobras

O Inter volta a disputar uma final de Copa do Brasil depois de uma década com ânimo e confiança resgatados para enfrentar o Athleticonos dois duelos da decisão, em 11 e 18 de setembro. Tudo graças a um jogo perfeito em termos táticos, técnicos e de postura. Mais uma amostra de que a equipe está tarimbada e pronta para fazer – e vencer – enfrentamentos deste porte.

– Buscamos tecnicamente esta recuperação. Este é o caminho para conquistar. Agora, temos a oportunidade do título. O torcedor pode ter certeza que este grupo, com qualidade e comprometimento, dará mais do que seu máximo para buscar este título. O Inter joga como campeão todos os jogos desde que estou aqui – diz o técnico Odair Hellmann.

Entrada de Nico e time mais agressivo

Após encerrar o jejum de 24 jogos sem gols na vitória por 3 a 2 sobre o Botafogo, Nico López cavou seu retorno ao time para a decisão. Com o uruguaio entre os titulares, o Inter teve postura agressiva nos primeiros minutos, fruto da leitura de jogo de Odair sobre o estilo do rival, hoje comandado por Rogério Ceni.

O Inter entrou em campo no 4-1-4-1 com as linhas adiantadas para pressionar a saída de bola do Cruzeiro. Diferente do que fazia com Mano Menezes, a Raposa costuma iniciar as jogadas por baixo. Deu certo.

A equipe controlou o jogo mesmo com menos posse de bola – 57% a 43% – e impôs dificuldades ao adversário para afugentar qualquer possibilidade de pressão nos primeiros 15 minutos. O Cruzeiro, é verdade, sentiu o peso de um trabalho de pouco mais de 20 dias e “travou” por falta de uma mecânica mais bem desenvolvida. E o Inter se aproveitou disso para ditar o ritmo da partida.

A equipe tinha sempre dois jogadores bem abertos pelos lados do campo – por vezes, Nico e D’Alessandro alternavam com Patrick e Edenílson e apareciam por dentro. As ultrapassagens dos laterais permitiam triangulações e progressão em superioridade. O gol saiu da maior velocidade de transição com o camisa 7 e desse posicionamento mais aberto dos extremas.

Aos 39, Edenílson interceptou um passe e lançou Nico em velocidade pela esquerda. O uruguaio encontrou D’Alessandro do outro lado do campo. O argentino cruzou na cabeça de Guerrero, livre na pequena área.

– A gente queria estar vivo na Libertadores, mas acabou ali. Conversamos que não poderíamos nos abater. No sábado, talvez não fizemos um dos melhores jogos, mas foi o suficiente para ganhar. Deu confiança para chegar a esse jogo e saber que o Cruzeiro vinha para cima. A gente soube dar o controle para o jogo – avalia Rodrigo Lindoso.

O gol no final do primeiro tempo esfriou qualquer possibilidade de reação do Cruzeiro na segunda etapa. O Inter recuou as linhas e se compactou com a combatividade habitual para não dar espaços ao rival. E teve velocidade nas transições ao ataque.

Com mais liberdade de movimentação para puxar contra-ataques, Nico passou a atuar mais próximo de Guerrero, por vezes caindo pela direita. Nesta movimentação, ele apareceu dentro da área e serviu o peruano com uma cavadinha. O centroavante não perdoou e fez o segundo.

A esta altura, o Cruzeiro atacava de forma desorganizada e pouco efetiva. E ainda deixava espaços na defesa. Melhor para Cuesta e Edenílson: aos 43, o zagueiro lançou o volante, que, livre no campo de ataque, teve o trabalho de apenas encobrir Fábio.

O Inter construiu sua vitória por 3 a 0 com tamanha superioridade que teve quase o dobro de finalizações que o rival – 20 a 11 – , mesmo com menos posse de bola. A classificação diante do atual bicampeão da Copa do Brasil faz a equipe mirar a final com a confiança restabelecida para os duelos com o Athletico.

– Chegamos (à final) por merecimento. Passamos pelo Palmeiras, atual campeão do Brasileirão, do Cruzeiro, atual bi da Copa do Brasil. Precisamos nos superar – diz o vice de futebol Roberto Melo.

Inter e Athletico fazem os dois jogos da final da Copa do Brasil nos dias 11 e 18 de setembro. Os mandos de campo serão definidos em sorteio nesta quinta-feira às 15h, com transmissão ao vivo.