Brasília – O presidente do Paraguai, Horacio Cartes é recebido, no Congresso Nacional, pelo presidente do Senado, Eunício Oliveira (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro decretou a prisão preventiva do ex-presidente do Paraguai Horacio Cartes. Ele é investigado na Operação Patrón, um desdobramento da Operação Lava Jato, por corrupção, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa, em um esquema envolvendo o doleiro Dario Messer, preso em julho deste ano, pela 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, na Operação Câmbio, Desligo.

Policiais federais fazem hoje (19) a operação para prender o ex-presidente e outros 19 investigados, de acordo com o Ministério Público Federal. Ainda segundo a MPF, a Justiça considerou que a prisão de Cartes é necessária devido a “graves riscos para a ordem pública, pela contemporaneidade e gravidade dos crimes investigados e por ser a única forma para irromper os crimes de lavagem de dinheiro já comprovados”.

O ex-presidente é um dos nove procurados fora do país pela Operação Patrón, deflagrada nesta terça-feira (19).

Até o final da tarde, onze pessoas tinham sido presas na operação. Estão entre eles a namorada de Messer, Myra Athayde presa no Rio de Janeiro e o dono do principal shopping paraguaio na fronteira com o Brasil, o empresário Felipe Cogorno Álvares. Ainda não se sabe onde Horacio Cartes está.

De acordo com a agência de notícias AFP, Carlos Palacios, um dos advogados de Cartes, afirmou à imprensa que o ex-presidente paraguaio está “tranquilo” e que a defesa desconhece a decisão do juiz Marcelo Bretas, responsável pela Lava Jato no Rio.

“Cartes sempre respondeu e não vínculos comerciais ou societários com [Dario] Messer. Ele nega de maneira enfática. Cartes e Messer não são sócios em negócios. Cartes está muito tranquilo”, afirmou Palacios.

O pedido dos US$ 500 mil está descrito na denúncia feita pelo Ministério Público Federal. Messer está preso desde o fim de julho.

A decisão é do juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal fluminense, que determinou a inclusão do nome de Cartes na Difusão Vermelha da Interpol — a lista de procurados distribuída em aeroportos do mundo todo.

“Sendo senador com ou sem direito a voto, [Cartes] não tem direito a foro privilegiado. Atuou aqui financiando uma organização criminosa. Não foi ajuda a um amigo, foi financiamento de um comparsa de organização criminosa”, afirmou José Augusto Vagos, procurador regional da República.

A decisão diz que, em junho de 2018, quando estava foragido, Messer mandou uma carta ao ex-presidente do Paraguai pedindo US$ 500 mil para cobrir gastos jurídicos.

A íntegra da carta

“Patrão, 27/6/2018

Desculpa te incomodar nessa hora, mas a situação em que me encontro está muito complicada. Fui traído no Brasil e fui pego de surpresa no Paraguai. Além disso, arrastaram o Dan [irmão de Dario que fez delação] nessa confusão. A minha relação com a família ficou muito ruim também. Eles me culpam com razão por essa confusão.

Tive a grande sorte de ser acolhido por essa pessoa que está te entregando essa carta [Roque Fabiano Silveira, segundo o MPF]. Também contratei como advogado a Dra. Letícia [Maria Letícia Bobeda Andrada], que é também advogada desse meu amigo e na qual ele confia.

Infelizmente fiquei com os meus recursos bloqueados e preciso recorrer a sua ajuda para com os gastos jurídicos. Nessa primeira etapa vou precisar de US$ 500.000 (quinhentos mil dólares). Com isso consigo me apresentar, ficar numa prisão domiciliar em Assunção e poder me movimentar e articular melhor a situação. Assim que conseguir passar essa etapa vou precisar do teu apoio de sempre. Esse meu amigo vai me ajudar na entrega dos recursos de modo que os valores podem ser entregues a ele.

Esse meu amigo ficou de me ajudar com a fazenda de Pedro Juan e gostaria de ver a melhor forma.

Te agradeço pela compreensão.

Forte abraço,

Dario Messer.

Messer fez uma selfie com uma pistola enquanto estava foragido — Foto: Reprodução
Carta de Dario Messer a Horacio Cartes — Foto: Reprodução