Carlos Vera/Colectivo2+

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou na tarde deste sábado (9) em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, e disse que Jair Bolsonaro foi eleito para governar para o povo brasileiro e não para os milicianos do Rio. Lula fez um discurso agressivo e atacou o ministro da Economia, Paulo Guedes, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, o procurador da República Deltan Dallagnol e a Operação Lava Jato.

“Ele [Bolsonaro] foi eleito. Democraticamente nós aceitamos o resultado da eleição. Esse cara tem um mandato de 4 anos. Agora, ele foi eleito para governar para o povo basileiro, e não para governar para os milicianos do Rio de Janeiro” , disse Lula.

“Eu duvido que o Moro durma com a consciência tranquila que eu durmo. Eu duvido que o tal do Dallagnol durma com a consciência tranquila que eu durmo. Aliás, eu duvido que o seu Bolsonaro durma com a consciência tranquila que eu durmo. Eu duvido que o ministro demolidor de sonhos, destruidor de empregos, destruidor de empresas públicas brasileiras, chamado Guedes, durma com a consciência tranquila que eu durmo. E eu quero dizer pra eles, eu estou de volta”.
“Eu poderia ter ido a uma embaixada, eu poderia ter ido a um outro país, mas eu tomei a decisão de ir lá [ser preso]. Porque eu preciso provar que o juiz Moro não era juiz, era um canalha que estava me julgando” , disse o ex-presidente.

Lula foi solto nesta sexta-feira (8) após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e 580 dias preso. O ex-presidente passou a noite em Curitiba e embarcou em um avião fretado na manhã deste sábado rumo a São Paulo.
Em São Bernardo do Campo, estavam presentes Fernando Haddad, Marcelo Freixo, Guilherme Boulos, Gleisi Hoffmann e outras lideranças do Partido dos Trabalhadores (PT). A fala do ex-presidente durou cerca de 1 hora. Lula disse que o Brasil já foi “respeitado no mundo inteiro”.
“Não adianta ficar preocupado com as ameaças que eles fazem na televisão. Que vai ter miliciano, que vai ter o AI-5 outra vez. A gente tem que ter a seguinte decisão: esse país é de 210 milhões de habitantes e a gente não pode permitir que os milicianos acabem com esse país que nós construímos”, disse em ataque ao governo de Jair Bolsonaro.
“Se as pessoas tiverem onde trabalhar, se as pessoas tiverem salário, se as pessoas tiverem onde estudar, se as pessoas tiverem acesso à cultura, a violência vai cair. Nós temos que dizer contra a distribuição de armas do Bolsonaro. Nós vamos distribuir livros”.

O ex-presidente desembarcou no Aeroporto de Congonhas, na Zona Sul da capital paulista, às 11h30 deste sábado. Em um comboio, seguiu em direção ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, onde uma festa foi organizada. Lula chegou ao sindicato às 12h40 e foi recebido com abraços e fogos de artifício. Uma faixa vermelha com várias mensagens de apoio foi estendida e Lula caminhou por ela. Milhares de pessoas participam da comemoração em frente ao sindicato.
Com o ex-presidente, viajaram o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, e o fotógrafo oficial de Lula, Ricardo Stuckert.
No sindicato, Lula almoçou com a família, lideranças petistas e sindicalistas. À espera do ex-presidente, apoiadores ouviram música e cantaram jingles. Alguns apoiadores passaram mal com o calor e médicos que estavam entre a multidão se ofereceram para ajudar.

O presidente Jair Bolsonaro cumprimenta turistas no Palácio da Alvorada

O presidente Jair Bolsonaro chamou neste sábado (9) de “canalha” e “presidiário” o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que na sexta-feira (8) deixou a prisão em Curitiba, após 580 dias. À noite, após discurso de Lula em São Bernardo do Campo (SP) no qual foi citado, o presidente afirmou que não responderá a “criminosos que por ora estão soltos”.

Em resposta, Bolsonaro publicou em uma rede social, sem citar Lula:

“Não responderei a criminosos que por ora estão soltos. Meu partido é o Brasil!”.

Pela manhã, na mesma rede social, Bolsonaro havia publicado uma mensagem na qual chamou o ex-presidente de “canalha”, embora não o tenha mencionado nominalmente.

“Amantes da liberdade e do bem, somos a maioria. Não podemos cometer erros. Sem um norte e um comando, mesmo a melhor tropa, se torna num bando que atira para todos os lados, inclusive nos amigos. Não dê munição ao canalha, que momentaneamente está livre, mas carregado de culpa” escreveu.

Mais tarde, ao deixar o Palácio da Alvorada para participar de um almoço no Clube Pandiá Calógeras, no Setor Militar Urbano, em Brasília, foi indagado por repórteres a respeito da libertação de Lula. Respondeu que não vai “contemporizar com presidiário”.

“A grande maioria do povo brasileiro é honesto, trabalhador e nós não vamos dar espaço nem contemporizar com presidiário. Tá solto, mas continua com todos os crimes dele nas costas”, afirmou.

Condenado em duas instâncias no caso do tríplex no Guarujá, no âmbito da Operação Lava Jato, Lula cumpria pena de 8 anos, 10 meses e 20 dias.